Campos Altos teve 117 nascimentos em 2024; município registrou 124 óbitos
- Por: André de Paiva Toledo
- 27/01/2025 17:02
O ano de 2024 foi de grande importância para mim, pois foi quando assumi, inicialmente de forma interina (agosto), e depois de forma definitiva (outubro), a titularidade do Registro Civil (RCPN) de Campos Altos, em funcionamento desde 1939. Ao longo desses quase 86 anos, o RCPN de Campos Altos tem cumprido papel fundamental na documentação e controle dos eventos vitais da população, como nascimentos e falecimentos.
Todo ano, fazemos a apuração dos números de óbitos e nascimentos registrados, dados que são repassados aos órgãos competentes, como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que utiliza essas informações para realizar levantamentos demográficos e análises estatísticas. Esses dados são essenciais para a tomada de decisões em políticas públicas nos âmbitos municipal, estadual e federal, orientando investimentos e ações que atendem às necessidades da população.
Em 2024, em Campos Altos, 124 pessoas infelizmente faleceram enquanto 117 pessoas nasceram. Trata-se de um fato significativo para nossa cidade, pois, pela primeira vez, o número de óbitos superou o de nascimentos, o que, por si só, nos causa grande preocupação. Esse fenômeno é um reflexo de uma tendência maior, que se observa no mundo inteiro, que é a diminuição da população. Mas esperávamos isso apenas para meados da próxima década.
Estamos diante de um fenômeno pontual ou é uma tendência permanente? Somente o tempo nos dará a resposta. Contudo, é importante refletirmos sobre o que podemos fazer para garantir a vitalidade de Campos Altos.
2024 não foi marcado por pandemia, desastre ou calamidade pública que justificassem um aumento abrupto no número de óbitos. Pelo contrário, mesmo durante a emergência sanitária da pandemia de COVID-19, o número de nascimentos ainda era superior ao de falecimentos. A minha hipótese é que houve uma significativa diminuição da natalidade, ou seja, as pessoas têm optado por ter menos ou não ter filhos. A meu ver, só isso não explica o fenômeno.
Suspeito que a diminuição da população jovem de Campos Altos é ainda maior do que a diminuição da população total, o que foi demonstrado no último Censo. Um fator para isso é a falta de alternativas de ensino superior e à escassez de trabalho qualificado para os jovens que desejam permanecer na cidade. Muitos acabam partindo em busca de oportunidades de estudo e emprego, o que contribui para a diminuição da população jovem local.
Minha intenção não é criticar ninguém, mas, sim, convidar todos – seja do setor público ou privado – a refletirmos sobre o que dá para fazer para reverter esse quadro e garantir que nossa cidade se mantenha próspera. Trazer instituição de ensino superior, especialmente voltada para o setor agropecuário, é uma das soluções que visualizo como fundamentais.
O jovem que se forma aqui, ao iniciar sua carreira profissional e constituir sua vida pessoal e familiar, tem grandes chances de se estabelecer na cidade, criando raízes e contribuindo para o desenvolvimento local. Além disso, a presença de uma instituição de ensino superior geraria uma demanda crescente por serviços de diversas áreas, movimentando a economia, gerando empregos, aumentando a arrecadação de tributos e, consequentemente, a riqueza de nossa cidade.
Quem pode não sonhar com isso? Eu, particularmente, sonho com um futuro de prosperidade para Campos Altos e convido todos a fazerem o mesmo. Não apenas sonhar, mas buscar maneiras concretas de transformar essa realidade. Estou à disposição para colaborar e trabalhar por um futuro melhor para nossa cidade. Mãos à obra! Estamos juntos!
